A embaixadora de Cuba nos Estados Unidos, Lianys Torres Rivera, afirmou nesta terça-feira (1) que o canal de diálogo com o governo de Donald Trump está completamente paralisado. Segundo a diplomata, Washington não demonstra disposição para discutir comércio ou diplomacia, impedindo acordos que aliviem os impactos das sanções americanas sobre a ilha.
Rivera declarou que os dois países não conseguem chegar a um consenso sequer sobre uma agenda básica de conversas. A diplomata descreveu a situação como uma “guerra sem bombas”, relatando que a ilha recebeu apenas uma remessa de combustível nos últimos 200 dias devido ao bloqueio americano e à captura de Nicolás Maduro, aliado regional de Cuba, em janeiro.
As restrições resultaram em cortes de energia de até 20 horas por dia. De acordo com a embaixadora, a crise afeta a saúde pública, com 100 mil pessoas aguardando cirurgias, 34 mil mulheres esperando exames de ultrassom e mais de 3 mil pacientes de diálise impossibilitados de realizar sessões por falta de eletricidade.
Um porta-voz do Departamento de Estado rebateu as declarações, classificando Cuba como um Estado falido e mal administrado. A administração americana afirmou que a classe dirigente de Havana controla a ilha em benefício próprio e não se mostrou disposta a adotar medidas que ajudem a população. Os EUA informaram ter enviado US$ 100 milhões em assistência via Igreja Católica para mitigar a crise.
O governo de Donald Trump e o secretário de Estado, Marco Rubio, buscam forçar a saída da liderança comunista, que governa o país há mais de 67 anos. Embora Cuba tenha anunciado 176 reformas de livre mercado no início do ano, o governo de Havana insiste que o sistema político e a liderança do país não são negociáveis.
Rivera rejeitou acusações de que a ilha representaria risco à segurança nacional ou fomentaria manifestações antiamericanas. A diplomata afirmou que Cuba deseja uma relação de respeito e defendeu o sistema democrático do país, alegando que as eleições ocorrem a cada cinco anos sem a influência do dinheiro na escolha dos candidatos.


