Mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, mostram que o banqueiro intermediou a obtenção de ingressos VIP para Giuliana e Alexandre Barci de Moraes assistirem a uma partida do Atlético-MG. As informações constam em relatório da Polícia Federal (PF) enviado ao ministro André Mendonça, relator do inquérito, e tornaram-se públicas nesta terça-feira (1º).
Em 12 de maio de 2024, Vorcaro escreveu para Ana Matos, então funcionária do marketing do banco, que a filha de Alexandre de Moraes entraria em contato. O banqueiro solicitou que a funcionária providenciasse os convites para Giuliana. Em resposta, Matos enviou detalhes sobre a partida entre Atlético-MG e Grêmio, na Arena MRV, em Belo Horizonte.
O documento menciona que a SAF do Atlético-MG possui investidores de um fundo administrado pelo Banco Master e que Vorcaro integra o conselho de administração do clube. Posteriormente, o fundador do banco pediu que a funcionária organizasse para que Giuliana sentasse ao lado do irmão, Alexandre, que não possuía ingresso da categoria VIP. Vorcaro determinou que os irmãos fossem colocados em “boa mesa”.
O relatório de 218 páginas foi produzido a partir da análise do aparelho de Vorcaro, apreendido durante a Operação Compliance Zero. A ação, deflagrada em novembro de 2025, investiga fraudes na venda de carteiras de crédito do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB). Vorcaro foi preso na primeira fase da operação, em 18 de novembro de 2025.
A PF elaborou o documento a pedido do ministro André Mendonça para identificar uma possível rede de influência e monitoramento atribuída ao banqueiro. O relatório foi entregue em 27 de agosto de 2026. A corporação informou que a análise não é exaustiva, pois foi realizada em um prazo de 72 horas para atender a requisição judicial.
Parte dos diálogos analisados utilizou o recurso de visualização única do WhatsApp, o que impediu a reconstrução integral de algumas conversas, inclusive as mantidas com o contato identificado como “Alexandre de Moraes BRASILIA”. O relatório não especifica quem efetuou o pagamento dos ingressos ou os valores envolvidos.
O ministro Alexandre de Moraes, a defesa de Daniel Vorcaro, o escritório de advocacia Barci de Moraes e Ana Matos não responderam aos pedidos de manifestação até a publicação da matéria.


