O ministro Gilmar Mendes afirmou, nesta terça-feira (1º), que a inteligência artificial amplia exponencialmente o poder de desinformação, afetando o debate público e os processos eleitorais. As declarações foram feitas durante o 2º Seminário Brasil-Itália da Rede Internacional sobre Sistemas de Justiça e Democracia, realizado no Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo Gilmar, a IA generativa tornou a fabricação de conteúdos falsos mais simples. O ministro disse que o custo para criar áudios verossímil de candidatos ou vídeos de autoridades em situações inexistentes é praticamente zero, resultando em uma capacidade de produção de desinformação em massa sem precedentes.
O ministro explicou que sistemas de recomendação baseados na tecnologia conseguem inferir ressentimentos, medos e vulnerabilidades dos usuários. Essa análise permite que as plataformas direcionem mensagens personalizadas para as pessoas.
No mesmo evento, o presidente da Corte, Edson Fachin, afirmou que a realização de eleições é imprescindível, mas não suficiente para caracterizar uma democracia. Ele disse que é necessário avaliar se os pleitos são genuínos e se os eleitos possuem poder real para governar.
Fachin questionou quanto da oposição é permitido no sistema e afirmou que a essência da democracia reside na possibilidade de a minoria atual se tornar a maioria no futuro. O debate integra discussões sobre os reflexos da inteligência artificial no ambiente informacional, na Justiça e na democracia.


