O ex-banqueiro Daniel Vorcaro ofereceu cotas de um jato Legacy 650 e de um helicóptero EC 155 B1 como pagamento em um contrato de R$ 50 milhões por serviços jurídicos com o escritório Barci de Moraes. A banca tem como sócia Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), segundo relatório da Polícia Federal (PF) divulgado nesta terça-feira (1º).
A proposta previa que R$ 40 milhões do montante fossem quitados via transferência de cotas de empresas ligadas às aeronaves. Os R$ 10 milhões restantes seriam pagos em dinheiro pela contratante, que também ficaria responsável pelo reembolso de despesas de uso e aquisição dos veículos.
Um acordo datado de 19 de maio de 2025 detalhava a transferência de 33,33% das cotas da Fraction 024 Administração de Bem Próprio, dona do jato Legacy 650, prefixo PP-NLR. O documento também previa a cessão de 20% da Fraction 053 Administração de Bem Próprio, empresa que adquiria um helicóptero EC 155 B1 da Airbus Helicopters.
As cotas do jato eram avaliadas em US$ 5,51 milhões, enquanto as participações do helicóptero somavam US$ 1,33 milhão. No total, os ativos alcançavam cerca de US$ 6,8 milhões, o que equivale a aproximadamente R$ 35,23 milhões. O contrato permitia que o escritório utilizasse as aeronaves imediatamente após a assinatura.
Mensagens analisadas pela PF indicam que Vorcaro e um advogado discutiram a transferência dos ativos. O ex-banqueiro afirmou em conversa que os ativos já pertenciam ao escritório. A investigação apurou que a operação teria sido alterada para registrar os bens por meio de uma empresa chamada Lux, visando evitar o chamado risco reputacional.
Em nota, o escritório Barci de Moraes negou a existência do contrato de R$ 50 milhões. A banca informou que assinou apenas um primeiro contrato com o Banco Master, no valor de cerca de R$ 130 milhões, e declarou que nada foi assinado em relação ao segundo acordo revelado nos autos.


