Algumas instituições de ensino superior privadas implementaram processos seletivos que permitem ao estudante ingressar em cursos a qualquer momento do ano. O modelo, comum no ensino a distância (EaD), também é aplicado em formatos presenciais e híbridos para oferecer maior flexibilidade aos alunos em diferentes fases da vida.
A Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (Abmes) informou que não possui um levantamento do número total de cursos que utilizam a seleção fora dos períodos habituais. Grandes grupos educacionais, no entanto, afirmam que a medida é benéfica e não prejudica a qualidade do ensino.
O grupo Ânima, que administra universidades como São Judas, Anhembi Morumbi e Unisul, utiliza um vestibular simplificado baseado em carta de apresentação, além de considerar notas do Enem e transferências. Já a Cogna, detentora das marcas Anhanguera e Unopar, realiza vestibular on-line. Em ambos os grupos, o modelo de ingresso flexível não é aplicado aos cursos de medicina.
Para funcionar, o sistema exige infraestrutura tecnológica, projeto pedagógico consistente e acompanhamento acadêmico. As instituições devem respeitar a legislação brasileira, que exige o cumprimento de 200 dias letivos e frequência mínima de 75% dos estudantes.
Janguiê Diniz, presidente-diretor da Abmes, afirmou que o modelo permite aproveitar melhor a infraestrutura e reduzir a ociosidade de vagas. Segundo Diniz, o impacto financeiro das mensalidades também desestimula que os alunos prolonguem a duração do curso.
Rodrigo Cavalcanti, vice-presidente de marketing e Revenue Office da Cogna, disse que a personalização da grade para quem entra após o início das aulas reduz a evasão motivada por dificuldades em acompanhar o conteúdo. Janes Fidélis, vice-presidente acadêmico da Ânima Educação, declarou que a iniciativa visa reduzir barreiras de acesso.
Outras instituições, como a Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e o Insper, informaram que não utilizam o método. A PUC-SP afirmou que mantém processos seletivos únicos para preservar a jornada do aluno em turmas com trajetórias coletivas e grade curricular sequencial.


