O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reuniu representantes da sociedade civil nesta terça-feira (1º) para discutir o mercado de apostas eletrônicas, as bets. O governo pretende tomar uma decisão definitiva sobre o setor ainda esta semana, após ouvir entidades de proteção à criança, saúde, comércio e setor artístico.
A reunião foi conduzida pela ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, com a presença de ministros da Saúde, do Esporte e representantes da Justiça e Segurança Pública. Durante o encontro, o governo ouviu apelos pela proibição total das apostas e relatos sobre o impacto financeiro nas famílias, incluindo casos de endividamento com agiotas e aumento da inadimplência no comércio.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, informou que a demanda por tratamento contra o vício em apostas no Sistema Único de Saúde (SUS) saltou de 600 para 100 mil atendimentos mensais. Segundo Padilha, mulheres representam 55% do grupo que busca cuidado. O ministro afirmou que Brasil, Espanha e Canadá lideram uma proposta de resolução sobre o tema na Organização Mundial de Saúde (OMS).
Lula classificou as bets como “um mal pra sociedade” e admitiu a possibilidade de adotar uma “decisão mais drástica”. O presidente mencionou a dificuldade de proibir 60 mil casas clandestinas, citando a influência de artistas famosos em propagandas durante eventos como a Copa do Mundo.
No ano passado, as famílias brasileiras perderam R$ 62,5 bilhões em apostas eletrônicas, valor líquido que representa a diferença entre o montante apostado e os prêmios recebidos. O prejuízo equivale a uma média de R$ 4,7 bilhões por mês entre outubro de 2024 e março de 2026, correspondendo a 0,68% da Renda Nacional Disponível Bruta das Famílias.
No mesmo período, as transações via Pix para as casas de apostas movimentaram quase R$ 351 bilhões. Entre as sugestões apresentadas ao governo durante a reunião, consta a criação de uma secretaria extraordinária voltada ao combate às bets ilegais.


