Os candidatos à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Romeu Zema criticaram, nesta terça-feira (1º), o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), após relatório da Polícia Federal (PF) sugerir que o magistrado participou da elaboração de um contrato de cerca de R$ 130 milhões entre o escritório de sua esposa e o empresário Daniel Vorcaro.
A investigação da PF baseou-se em registros digitais e metadados de arquivos. O contrato envolveria o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes e o Banco Master. Em nota, a defesa de Barci de Moraes afirmou que consultou o ministro sobre eventuais impedimentos legais para a contratação e que, como nenhum foi identificado, o documento foi assinado.
Em coletiva de imprensa no Senado, Flávio Bolsonaro chamou Moraes de “advogado de Daniel Vorcaro”. O senador afirmou que, caso as suspeitas sejam comprovadas, o ministro não teria condições de permanecer no STF, alegando que a situação compromete a credibilidade da Corte. Bolsonaro também cobrou esclarecimentos de Moraes, de sua esposa, do procurador-geral da República, Paulo Gonet, e do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.
Romeu Zema utilizou a rede social X para afirmar que o ministro “merece cadeia” e retomou um pedido de impeachment protocolado quando era governador de Minas Gerais. Segundo Zema, a PF demonstrou que Moraes editou o contrato às 23h04 no mesmo sistema utilizado para despachar processos, além de ter pedido proteção para Vorcaro junto ao PGR e ao diretor da PF.
Paralelamente, o ministro André Mendonça, do STF, solicitou que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifeste em cinco dias sobre um documento da PF. O texto contém mensagens em que Vorcaro pede a atuação de Rodrigues e Gonet em seu favor. A Polícia Federal suspeita que o interlocutor que recebeu tais mensagens seja Alexandre de Moraes.


