O britânico Gary Jackson doou parte do próprio fígado e do intestino delgado para salvar a vida do filho, Harry, de seis anos, em uma cirurgia realizada em janeiro de 2025. O procedimento ocorreu no King’s College Hospital, em Londres, e é classificado pela equipe médica como um dos casos mais raros de transplante duplo em crianças no mundo.
Harry nasceu com má rotação intestinal, anomalia gestacional que gera risco de vólvulo, condição em que o intestino se torce e interrompe o fluxo sanguíneo. Após anos de alimentação por via intravenosa, a criança desenvolveu insuficiência intestinal e uma doença hepática que comprometeu o fígado.
Para viabilizar a doação, Gary Jackson, de 47 anos, passou por meses de preparação. O pai perdeu 38 quilos, adotou rotina de exercícios e abandonou o consumo de álcool. Exames comprovaram que ele possuía 98% de compatibilidade com o filho no antígeno leucocitário humano (HLA), índice que indica sistemas imunológicos semelhantes.
A operação, conduzida pelo cirurgião consultor Nigel Heaton, durou 17 horas. Foram transferidos para o menino um metro e meio do intestino delgado e 20% do fígado do pai. Heaton informou que a técnica consistiu em uma incisão vertical na parte superior dos abdomes de ambos.
A recuperação do doador levou mais de seis semanas. Segundo a cirurgiã Miriam Cortes-Cerisuelo, líder clínica de transplantes do hospital, o transplante combinado de fígado e intestino delgado de um doador vivo é incomum na Inglaterra.
Cortes-Cerisuelo afirmou que existem apenas cerca de dez casos conhecidos no planeta com essa característica, todos envolvendo pacientes crianças.


