Mensagens extraídas do celular do banqueiro Daniel Vorcaro mostram que ele cobrou executivos do Banco Master para evitar atrasos nos pagamentos ao escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, classificando o acordo como o contrato mais importante da instituição.
O contrato, firmado em janeiro de 2024 no valor de R$ 131 milhões, previa a atuação do escritório de Viviane Barci de Moraes junto ao Banco Central, à Receita Federal e ao Congresso Nacional para defender interesses do Banco Master. A cláusula 11 do documento estabelecia pagamentos líquidos de R$ 3 milhões até o quinto dia útil de cada mês, mas a equipe do banqueiro atrasou a quitação já em fevereiro de 2024.
Em conversas datadas de fevereiro, Vorcaro questionou Fabiano Zettel, homem de confiança do ex-controlador do banco e preso desde março, sobre a data do primeiro pagamento. O banqueiro também cobrou Ângelo Antônio Ribeiro da Silva, então tesoureiro do Master e investigados pela Polícia Federal, que confirmou o repasse de R$ 3.422.268,14 após a cobrança.
Em 15 de março de 2024, o ex-ministro das Comunicações Fábio Faria procurou Vorcaro para tratar de novos atrasos. Faria solicitou o contato do responsável pelos repasses, e Vorcaro indicou Ângelo Silva. Segundo investigadores, Faria teria repassado o número do tesoureiro ao próprio ministro Alexandre de Moraes. Após esse episódio, Vorcaro enviou oito mensagens seguidas a Silva, afirmando que a falha era surreal e causaria problemas.
O banqueiro também instruiu Romy Goerck Gentina Klenquen, superintendente de Back Office de Tesouraria, a monitorar os pagamentos para que não atrasassem um único dia, orientando que as transferências fossem feitas mesmo sem nota fiscal. Em abril de 2025, Vorcaro ordenou que o contrato físico fosse recolhido e que ninguém tivesse acesso ao documento.
Em outubro de 2025, um mês antes de ser preso pela Polícia Federal, Vorcaro recomendou ao superintendente-executivo de tesouraria, Alberto Felix de Oliveira Neto, que os pagamentos não fossem realizados via Pix, classificando a modalidade como não recomendável. Até outubro de 2025, o escritório de Viviane Barci de Moraes recebeu R$ 80.223.653,84 do Banco Master, conforme declaração de Imposto de Renda enviada à CPI do Crime Organizado do Senado.


