O Brasil ocupa a segunda posição global em volume de interações sobre efeitos colaterais de medicamentos injetáveis para emagrecimento, segundo levantamento da plataforma de inteligência cultural Winnin. O estudo analisou 233 mil vídeos em português, inglês e espanhol no Instagram, YouTube, TikTok, Facebook e Twitch.
As queixas mais frequentes dos usuários nas redes sociais são a falta de energia e o mau hálito. O relatório aponta que o envelhecimento precoce da pele, a perda de colágeno, a queda de cabelo e problemas digestivos também aparecem com frequência. Há relatos recorrentes sobre a dificuldade em preservar a massa muscular e a ausência de hipertrofia durante o processo.
Guilherme Moscardi, gerente de operações da Ultra Academia e especialista em longevidade, afirmou que a perda de peso muito rápida representa um risco real. Segundo Moscardi, a perda de massa muscular reduz o metabolismo basal, diminui a força e aumenta a probabilidade de lesões, dificultando a manutenção dos resultados no longo prazo.
A psiquiatra Carla Moura Weinstein alertou que os impactos emocionais podem ser intensos em pacientes com histórico de ansiedade, depressão, compulsão e transtornos alimentares. A médica explicou que a percepção da imagem corporal nem sempre acompanha a mudança física, o que pode manter a insatisfação do paciente mesmo após o emagrecimento.
O volume de vídeos com a hashtag #GLP1Community cresceu 96% globalmente. O grupo mais interessado no assunto é composto por adultos entre 25 e 34 anos, mas a pesquisa identificou a presença de adolescentes entre 13 e 17 anos buscando o tema.
Em termos de engajamento, o México lidera com crescimento de 343,9% nos acessos à hashtag, seguido pelo Brasil, com 209,8%, e pela Índia, com 43,9%. Especialistas indicam que o uso sem prescrição médica é o principal fator de risco para os usuários.


