O diretor jurídico e de regulação do PicPay, Thiago Daniel, afirmou nesta terça-feira (1º) que a equipe do Banco Central (BC) dedicada ao Open Finance é “superenxuta”. Durante o Zetta Summit 2026, em Brasília, o executivo defendeu que as empresas do mercado colaborem mais com a autoridade monetária para acelerar o desenvolvimento do sistema.
Daniel explicou que o modelo brasileiro combina a atuação do BC com a participação de associações do setor, o que diferencia a estrutura de outros países ao dar voz ao mercado. Ele avaliou que houve evolução substancial em estrutura e oferta de produtos desde a resolução conjunta nº 1 de 2020, mas apontou a governança e o monitoramento da eficiência como áreas que ainda precisam avançar.
O ecossistema de Open Finance registra, em média, 50 bilhões de chamadas de APIs por mês e soma mais de 250 milhões de consentimentos. O diretor afirmou que o desafio atual não é a disponibilidade da infraestrutura, mas a qualidade do funcionamento, questionando se os dados chegam corretamente e se os pagamentos são concluídos.
Segundo o executivo, existe uma quantidade “muito grande” de instituições com baixos níveis de eficiência no sistema. Ele defendeu que o monitoramento seja capaz de identificar falhas no compartilhamento de informações e na finalização de operações financeiras.
Sobre a governança, Daniel sugeriu que o conselho do Open Finance tenha uma posição mais contributiva no apoio ao BC e à diretoria da Associação Open Finance Brasil. Ele ocupa a cadeira destinada aos entrantes no mercado, grupo que representa empresas cuja existência depende do sistema.
O diretor informou que mais de 90% das companhias representadas por esse grupo dependem do Open Finance para seus modelos de negócio. Essas instituições utilizam dados, com autorização dos clientes, para desenvolver e oferecer produtos e serviços.


