Dois documentários focados na intimidade do compositor Aldir Blanc estreiam no Festival do Rio, em outubro. As obras, lançadas na data em que o artista completaria 80 anos nesta quarta-feira (2), baseiam-se em arquivos pessoais, vídeos caseiros e acesso ao apartamento onde o músico residia.
O filme “Aldir Blanc — Resposta ao tempo”, dirigido por Marcus Fernando e Hugo Sukman, utiliza quase dez horas de entrevistas gravadas em 2019. A produção foca no processo criativo e na trajetória do artista, sem o uso de depoimentos de terceiros, priorizando crônicas, letras e as próprias falas do compositor.
A obra aborda traumas familiares, como a depressão da mãe e o alcoolismo do pai, além da formação do músico em Vila Isabel. O documentário registra a desistência da medicina em 1971 após a morte de suas filhas gêmeas em 1974, evento que inspirou o poema “Choro pra bandolim”.
Já o longa “Fui olhar você dormir”, dirigido por Anna Azevedo e com roteiro de Claudio Uchoa, centra-se na relação de 34 anos entre Aldir e sua companheira, Mari Lúcia de Sá Freire. O roteiro foi construído a partir de cerca de 2 mil bilhetes escritos pelo artista para a mulher, dos quais 100 foram selecionados e 30 aparecem no filme.
A produção detalha a rotina do casal no apartamento da Rua Garibaldi, na Tijuca, explorando temas como a dependência emocional, o ciúme e a sensualidade. A obra será exibida na mostra competitiva do festival, enquanto “Resposta ao tempo” integra a Mostra Retratos.
Aldir Blanc morreu aos 73 anos, no dia 4 de maio de 2020, vítima de Covid-19. O compositor deixou cerca de 500 composições e expressou, em registros pessoais, a preferência pelo anonimato em relação à fama de suas letras.


