A farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk, fabricante do Ozempic e do Wegovy, lançou um comprimido para perda de peso que já soma 1,5 milhão de usuários, concentrados principalmente nos Estados Unidos. A medida faz parte de uma tentativa de recuperação da empresa, cujas ações acumulam queda de cerca de 70% em relação ao pico de 2024.
A companhia enfrenta a proximidade da expiração da principal patente americana da semaglutida, ingrediente ativo do Wegovy, prevista para o início da próxima década. Para conter a perda de liderança para a americana Eli Lilly e para farmácias de manipulação, a Novo Nordisk reposicionou o Rybelsus, medicamento para diabetes tipo 2, como “a pílula do Ozempic”.
O cenário interno foi marcado por turbulências. Em agosto de 2025, Mike Doustdar assumiu como o primeiro CEO não dinamarquês da história da empresa, após o afastamento do executivo anterior pela Fundação Novo Nordisk. No mesmo período, o presidente do conselho e todos os conselheiros independentes deixaram seus cargos.
Como parte da reestruturação, a empresa demitiu cerca de 9 mil funcionários, a maior redução de pessoal da história da Dinamarca. Enquanto o quadro de empregados na Dinamarca caiu 13% no último ano, o número de trabalhadores nos Estados Unidos cresceu na mesma proporção, totalizando cerca de 10 mil pessoas no país.
Doustdar implementou uma mudança na abordagem comercial, passando a tratar os usuários como “clientes” em vez de apenas “pacientes”. O executivo defende a disponibilização de remédios para perda de peso via receita médica sem a necessidade de consulta presencial, visando atender pessoas com depressão ou vergonha relacionadas ao peso.
A empresa também adotou uma postura jurídica mais agressiva, com processos contra mais de 150 companhias e uma ação contra a Eli Lilly por publicidade enganosa. Atualmente, a Novo Nordisk executa um plano de expansão de US$ 4 bilhões em Clayton, na Carolina do Norte, país onde gera mais da metade de suas receitas.


