O governo da Espanha afirmou nesta quarta-feira (2) que foi surpreendido pela falta de compartilhamento de informações da Polícia sobre a possível responsabilidade do Marrocos no salto massivo de imigrantes para Ceuta. A administração declarou que a ausência do relatório impede a tomada de decisões ligadas à Segurança Nacional.
Fontes da sede do governo, La Moncloa, informaram que a Polícia não entregou as evidências que apontariam a atuação marroquina na crise migratória. Segundo o Executivo, a comunicação imediata era necessária para a gestão de riscos estratégicos do país.
O ministro de Política Territorial, Ángel Víctor Torres, disse que prefere não fazer conjeturas antes de conhecer os detalhes do documento. Torres afirmou que o ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska, reagiu de forma imediata à situação.
A oposição reagiu com críticas severas. O secretário-geral do Partido Popular (PP), Miguel Tellado, chamou Marlaska de “sinvergüenza y mentiroso” e exigiu a renúncia do ministro do Interior.
O conflito ocorre no Dia de Ceuta, data que coincide com uma crise migratória sem precedentes na cidade. A tensão provocou a convocação de manifestações de apoio em toda a Espanha, embora a direção do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) tenha se desmarcado dos atos.
Ainda nesta quarta-feira, o ministro Ángel Víctor Torres preside, na cidade autônoma, a reunião do Comitê de Seguimiento para tratar dos desdobramentos do fluxo migratório.


