A Polícia Militar de São Paulo informou em inquérito que o motorista de Fernando Haddad apresentou versões contraditórias sobre uma suposta perseguição no Planalto Paulista e ignorou diversas tentativas de contato da corporação. O documento aponta que a ausência de novas respostas impediu o esclarecimento de divergências identificadas durante a investigação preliminar.
O secretário de Segurança Pública de São Paulo, Osvaldo Nico Gonçalves, tentou ao menos cinco contatos telefônicos com o condutor, identificado como Alessandro, sem sucesso. Tentativas semelhantes foram feitas por um tenente-coronel responsável pela apuração interna, incluindo mensagens via WhatsApp no dia 13 de agosto, que não foram respondidas.
Em conversas no dia 12 de agosto, o motorista afirmou inicialmente que teria sido perseguido e que entrou no Hotel Pullman. Após a PM enviar policiais ao local e não encontrar registros do veículo Ford Fusion, o condutor mudou a versão, alegando que apenas passou em frente ao hotel e que a abordagem ocorreu na Rua Joinville.
À noite, às 20h30 do mesmo dia, Alessandro enviou mensagem mencionando a “entrada da garagem no subsolo” do hotel, voltando a contrariar a versão anterior. Devido à falta de depoimento formal à PM, a corporação utilizou as informações colhidas por telefone para a investigação.
Em depoimento prestado à Polícia Civil no dia 17 de agosto, o motorista relatou ter ouvido a frase “vaza” vinda de agentes policiais. Segundo o tenente-coronel da PM, essa informação não constava nos relatos iniciais. O relatório também registra que o condutor omitiu, nos primeiros contatos, que os policiais portavam fuzis ou que houve intimidação.
Fontes da Polícia Militar afirmaram que a diferença entre os relatos não permite concluir que o motorista tenha mentido. A equipe de comunicação de Fernando Haddad não respondeu aos questionamentos sobre o caso.


