Documentos da Polícia Militar revelam que o patrulhamento no bairro Planalto Paulista, em São Paulo, foi reforçado dias antes de um episódio envolvendo o motorista de Fernando Haddad, candidato do PT ao governo do estado. As ordens de serviço para o emprego de equipes especializadas foram expedidas em 7 e 8 de agosto.
A primeira determinação, de 7 de agosto, mobilizou a Força Tática e a ROCAM nas imediações da Avenida Indianópolis para combater roubos, com atenção especial entre 18h e 22h. No dia seguinte, foi criada a Operação Impacto Quebra Vidros, focada em furtos contra motoristas parados no trânsito. Ambas as medidas resultaram de uma reunião ocorrida em 23 de julho na Prefeitura, com a presença do vice-prefeito Ricardo Mello Araújo (PL).
A PM utilizou prints de WhatsApp e dados de GPS para justificar o encontro de duas viaturas na Rua Joinville, que teriam seguido o motorista de Haddad. Segundo a corporação, as equipes M-12070 e M-12090 se reuniram para atender a uma ocorrência de possível furto em um condomínio próximo ao Hotel Pullman. O relatório da investigação concluiu que não houve perseguição.
As mensagens entre os sargentos Elder e Jesus, trocadas via aplicativo, mencionam termos do Código Q, como “QTI” (deslocamento) e “QSO” (contato direto). A viatura de Elder estacionou na altura do número 490 da Rua Joinville às 22h25 para aguardar reforço, momento em que o carro do motorista de Haddad teria deixado o local, por volta das 22h26.
O Ministério Público Eleitoral (MPE) arquivou, na segunda-feira (31), o procedimento que apurava abordagem irregular, afirmando que não há elementos para atribuir ilícito eleitoral ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Contudo, o procurador eleitoral classificou como “inverossímil” a tese de mera coincidência no patrulhamento, citando que duas equipes de batalhões distintos tiveram contatos sucessivos com o mesmo veículo em 44 minutos.
Em outra ação na região, a PM prendeu um adulto e três adolescentes por furto de celulares na Avenida Indianópolis, caso registrado no 27º DP. A assessoria de Fernando Haddad não respondeu aos contatos da imprensa.


