A Organização das Nações Unidas (ONU) apresentou nesta quarta-feira (2) medidas para conter os danos do aquecimento global após a superação do limite de 1,5°C. O relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) admite que a barreira será ultrapassada, alterando o foco de evitar o excesso para administrá-lo.
O documento surge após o secretário-geral da ONU, António Guterres, e cientistas indicarem que a superação do limite era inevitável. Quase 200 países haviam assumido, em 2015, no Acordo de Paris, o compromisso de manter o aumento da temperatura global abaixo desse patamar. Previsões indicam que o planeta deve romper a barreira nos próximos anos.
Richard Betts, professor da Universidade de Exeter e coautor do relatório, afirmou que o mundo precisa viver em um cenário mais quente, embora ainda seja possível limitar o aquecimento. A climatologista sul-africana Debra Roberts, também coautora, declarou que a governança climática precisa ser repensada, pois os planos atuais não estão preparados para a trajetória de ultrapassagem do limite.
O planeta já aqueceu aproximadamente 1,4°C desde o período entre 1850 e 1900, impulsionado pela queima de combustíveis fósseis. Os últimos três anos foram os mais quentes registrados. Cientistas alertam que ultrapassar os 1,5°C pode provocar o colapso das calotas polares, o desaparecimento de recifes de coral tropicais e eventos meteorológicos mais extremos.
Para minimizar os danos, o PNUMA recomenda a captura de dióxido de carbono, processo de retirada e armazenamento do gás do ar, somada a reduções rápidas de emissões. A diretora-executiva do PNUMA, Inger Andersen, afirmou que a adaptação à mudança climática será necessária para proteger a natureza e salvar vidas.
A proposta de uso de tecnologias de captura de carbono foi criticada por organizações ambientalistas. Lili Fuhr, do Centro para o Direito Ambiental Internacional (CIEL), classificou as soluções tecnológicas como especulativas. Bill Hare, do instituto Climate Analytics, disse que o relatório corre o risco de se tornar um chamado à apatia.


