O presidente Donald Trump informou que os Estados Unidos estão revisando a posição sobre a soberania das Ilhas Malvinas, administradas pelo Reino Unido e reivindicadas pela Argentina. A medida é vista como uma alternativa de Washington para pressionar Londres a elevar os investimentos em defesa e a divisão de custos militares entre aliados.
Um funcionário americano afirmou que nenhuma opção está sendo descartada para incentivar que os aliados gastem mais em segurança. Embora Trump não tenha anunciado apoio formal à Argentina nem retirado o reconhecimento da administração britânica, a revisão ocorre em um momento de tensão sobre os gastos da Otan.
Em 2025, os países da aliança concordaram em elevar os investimentos em defesa e segurança para 5% do PIB até 2035. Desse total, 3,5% devem ser destinados a necessidades militares centrais da organização, enquanto 1,5% podem cobrir infraestrutura crítica e inovação. O primeiro-ministro Andy Burnham enfrenta o dilema de cumprir essas metas sem comprometer promessas domésticas do governo britânico.
A disputa territorial remonta a 1982, quando Argentina e Reino Unido travaram uma guerra pelo controle do arquipélago. A Assembleia Geral das Nações Unidas, por meio da Resolução 2065 de 1965, reconhece a existência de uma disputa de soberania e pede uma solução pacífica. Londres baseia sua posição na autodeterminação dos moradores, que votaram em 99,8% em 2013 para permanecer como território britânico.
Buenos Aires, por outro lado, argumenta que a questão é uma disputa entre dois Estados e que a vontade da população local não resolve a reivindicação territorial. Para o presidente Javier Milei, aliado próximo de Trump, qualquer aproximação de Washington com a tese argentina representaria uma vitória diplomática significativa.
A estratégia de Trump indica que os Estados Unidos não pretendem mais separar alianças militares de interesses políticos e econômicos. Apesar de o investimento conjunto de países europeus e do Canadá ter crescido quase 20% em termos reais em 2025, Washington exige mais recursos. O risco da manobra é provocar uma crise com Londres e criar um precedente onde disputas territoriais tornam-se moedas de troca estratégica.


