O Festival de Cinema de Veneza começa nesta quarta-feira (2), no Lido, com a entrega do prêmio pelo conjunto da carreira ao ator George Clooney. A edição, que segue até 12 de setembro, é marcada por uma seleção de filmes independentes e pela ausência de grandes estúdios de Hollywood.
A abertura do evento conta com a exibição de “Ink”, obra dirigida por Danny Boyle sobre a ascensão de Rupert Murdoch na mídia britânica. A programação inclui ainda produções sobre Elon Musk e os irmãos Gallagher, da banda Oasis. O empresário Musk classificou como “difamatório” o documentário de quatro horas dirigido por Alex Gibney que o tem como personagem central.
Na disputa pelo Leão de Ouro, o prêmio principal, concorrem filmes como “Bunker”, de Florian Zeller, com Penélope Cruz e Javier Bardem, e “Primetime”, de Lance Oppenheim, estrelado por Robert Pattinson. O documentário “Naza”, sobre a morte de civis pelas forças israelenses em Gaza, é a única obra do gênero na competição principal.
O diretor artístico do festival, Alberto Barbera, afirmou à AFP que é essencial discutir o que acontece em Gaza e no Oriente Médio por meio do cinema. Segundo Barbera, há pelo menos quatro filmes que abordam a questão palestina e a situação atual no Irã.
A falta de blockbusters reflete a cautela de executivos de estúdios com orçamentos controlados, que preferem estreias próprias para evitar riscos de avaliações negativas da crítica. Uma exceção é o documentário da Disney “Don’t Look Back in Anger”, que acompanha a reconciliação dos irmãos Gallagher e terá a presença dos músicos no tapete vermelho neste sábado.
Outro ponto de tensão na programação é o projeto “DAU”, de Ilya Khrzhanovsky, que aborda a vida de físicos soviéticos. A produção sofreu críticas do governo da Ucrânia, que alegou ligações com o Estado russo. O diretor respondeu via Facebook que renunciou à cidadania russa em protesto contra a guerra e que a obra é uma declaração artística contra o mal totalitário.


