A Magazine Luiza e o Mercado Livre anunciaram, nesta quarta-feira (2), uma parceria comercial para a venda de cerca de 27 mil itens do estoque próprio da varejista no marketplace da plataforma. A operação começa em setembro e provocou a alta de 6,49% nas ações da MGLU3, cotadas a R$ 4,92 às 10h25.
O acordo inclui a listagem de produtos da KaBuM! e da Época Cosméticos, com a previsão de que a Netshoes seja adicionada ao grupo posteriormente. A estratégia segue modelos semelhantes a parcerias anteriores da Magazine Luiza com a Amazon e do Mercado Livre com a Casas Bahia.
A varejista também atualizou a operação de quick-commerce no aplicativo por meio da aba Magalu Delivery. O recurso oferece acesso a redes de farmácias, supermercados e restaurantes operados pela Aiqfome, plataforma de entregas comprada pelo grupo em 2020.
Segundo a Ativa Investimentos, a união beneficia ambas as companhias. A Magazine Luiza ganha um novo canal de vendas com margens potencialmente superiores às de mídia paga, enquanto o Mercado Livre amplia a oferta de móveis e linha branca, categorias com baixa penetração na plataforma.
A XP Investimentos prevê aumento nas vendas de produtos de primeira linha no quarto trimestre de 2026. A administração da empresa estima que 75% dos compradores no marketplace do Mercado Livre sejam clientes novos, o que reduziria a canibalização de vendas no curto prazo.
A análise da XP indica que as 1.200 lojas físicas da Magazine Luiza podem funcionar como pontos de coleta e devolução para o Mercado Livre. O braço logístico Magalog também poderia apoiar a entrega de produtos de grande porte, preenchendo lacunas no sortimento da plataforma argentina.
Apesar dos ganhos, a XP classifica o acordo como estratégico, mas não transformador. O volume bruto de mercadorias movimentado pela Magazine Luiza representa menos de 15% do GMV do Mercado Livre no Brasil, e apenas uma parte do catálogo da varejista estará disponível.


