A indústria química brasileira solicitou ao governo a implementação de uma política de longo prazo para recuperar a competitividade do setor e ampliar investimentos no país. A demanda foi central em evento da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), realizado nesta segunda-feira (1º), em São Paulo.
Durante o encontro, a Abiquim apresentou a Agenda Estratégica para a Indústria Química Brasileira 2027-2035. O documento contém propostas para reduzir a dependência de insumos externos e reverter a perda de competitividade do segmento.
Daniela Manique, presidente da Rhodia para a América Latina e representante da Solvay, afirmou que a falta de visão além dos ciclos eleitorais e a ausência de previsibilidade regulatória dificultam a operação das empresas. A executiva defendeu a criação de incentivos à inovação, tecnologia e infraestrutura para garantir insumos a preços competitivos.
A perda de eficiência do setor pode impactar outras áreas da economia, já que a indústria química é consumidora de petróleo, gás natural, nafta e eletricidade, fornecendo insumos para diversas cadeias produtivas. Manique declarou que a competitividade do upstream e do downstream é prejudicada conforme o setor declina.
O custo da energia elétrica foi apontado como outro fator crítico. Embora as empresas firmem contratos de 10 a 15 anos para prever gastos, encargos e tributos adicionais podem elevar o custo final. A executiva criticou a forma como programas de inclusão energética para população de baixa renda distribuem custos, alegando que a indústria não deve arcar com valores desproporcionais.
O evento reuniu autoridades e executivos, incluindo André Passos, presidente executivo da Abiquim, Francisco Fortunato, presidente do Grupo OCQ, Mariana Orsini, líder regional da Dow no Brasil, e Maximilian Yoshioka, diretor-presidente da Indorama Ventures Polímeros para a América Latina.


