A produção industrial brasileira cresceu 0,2% em julho em comparação a junho, interrompendo uma sequência de dois meses de queda, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados nesta quarta-feira (2). O resultado foi impulsionado principalmente pelos setores de eletrônicos e petróleo.
O índice ficou abaixo da expectativa de analistas econômicos, que projetavam um avanço de 0,7% para o mês. Na comparação com julho de 2025, a indústria registrou recuo de 0,5%. No acumulado de janeiro a julho, o setor apresenta alta de 1,1%, enquanto o avanço em 12 meses é de 0,6%.
A produção de bens de consumo duráveis subiu 3,2% e a de bens de capital cresceu 2,4%. Bens de consumo semi e não duráveis avançaram 0,5%. O desempenho global foi freado pela queda de 0,2% na produção de bens intermediários, utilizados como insumos em outras etapas produtivas.
Os segmentos de equipamentos de informática, produtos eletrônicos, alimentícios e derivados de petróleo foram os que mais contribuíram para a alta. Outros equipamentos de transporte, produtos do fumo, máquinas, materiais elétricos e artigos do vestuário também tiveram impacto positivo.
Claudia Moreno, economista do C6 Bank, informou que a indústria extrativa cresceu 2,5% em julho frente ao mesmo mês do ano passado, enquanto a de transformação recuou 1,1%. A economista explicou que a taxa Selic em patamar restritivo encarece o crédito e desestimula investimentos das empresas.
Alberto Ramos, diretor de pesquisa econômica para América Latina do Goldman Sachs, afirmou em relatório que a deterioração da confiança empresarial e as condições financeiras restritivas sugerem que o setor enfrentará dificuldades pelo restante de 2026.
No acumulado do ano, a indústria extrativa avançou 6,7%, beneficiada por projetos de exploração de óleo e gás. O setor de veículos automotores cresceu 5,7%, impulsionado por medidas de estímulo como o programa Move Brasil, do governo federal, voltado a taxistas e motoristas de aplicativos.


