O banqueiro Daniel Vorcaro enviou ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), uma lista com nomes de autoridades da Polícia Federal (PF) e do Ministério Público que conduziam investigações contra ele. As mensagens, reveladas em relatório da PF nesta terça-feira (2), mostram tentativas de evitar a liquidação do Banco Master e a prisão do executivo.
Em 30 de outubro de 2025, Vorcaro encaminhou a relação de nomes alegando que as autoridades procuravam o Banco Central (BC) para adotar medidas contra ele. O banqueiro afirmou que era necessário impedir uma “sacanagem” e pediu que o ministro reforçasse a situação com Andrei Rodrigues, diretor-geral da PF, e Paulo Gonet, procurador-geral da República.
As conversas, extraídas do celular do investigado, revelam que Vorcaro utilizava prints de visualização única para se comunicar com Moraes. Durante 13 dias, ele solicitou a intervenção do magistrado para desarmar as investigações e evitar que o banco fosse liquidado extrajudicialmente pelo BC. O banqueiro tentava ganhar tempo para vender os ativos do Master a um consórcio formado pela Fictor Holding Financeira e fundos dos Emirados Árabes.
No dia 16 de novembro de 2025, Vorcaro perguntou a Moraes se haveria chance de a operação policial ocorrer na manhã seguinte e pediu que o ministro tentasse atrasar a ação para a semana seguinte, alegando que isso evitaria a quebra do banco. No dia seguinte, 17 de novembro, após perguntar ao ministro se ele havia conseguido “bloquear” algo, o banqueiro foi preso no Aeroporto Internacional de Guarulhos durante a Operação Compliance Zero, enquanto se preparava para embarcar em um jato para Dubai.
A liquidação do Banco Master ocorreu dois dias após as mensagens, resultando em um rombo bilionário ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC). O relatório da PF indica ainda que Vorcaro teria tido acesso indevido a sistemas internos da PF, do Ministério Público Federal (MPF) e do FBI. O ministro Alexandre de Moraes respondeu a algumas mensagens, mas o conteúdo é desconhecido pois o magistrado também usou a função de visualização única e seu aparelho não foi alvo de quebra de sigilo.


