As ações do Banco do Brasil (BBAS3) avançaram mais de 5% nesta quarta-feira (2), superando os ganhos do Ibovespa. O movimento foi impulsionado pela atualização do pagamento de juros sobre capital próprio (JCP) complementar e por pesquisas eleitorais que sugerem a possibilidade de alternância de governo.
A instituição financeira informou o valor atualizado do provento, o que aumentou a atratividade do papel para investidores focados em dividendos. Paralelamente, a valorização recente reflete a confiança do mercado em candidaturas alinhadas à direita nas próximas eleições.
Luiz Mendes, head de alocação da Angatu Private, afirmou que o banco caminha para cinco sessões consecutivas de alta, com avanço de cerca de 6,4% no período. Segundo Mendes, o ativo é um dos mais sensíveis ao cenário de possível mudança de gestão federal, apesar dos desafios no setor do agronegócio.
A tese dos investidores é que um governo com perfil pró-mercado reduziria a interferência política na estatal, favorecendo a rentabilidade e o retorno aos acionistas. Gabriel Magno, sócio da AW Capital, informou que corretoras estrangeiras têm atuado na ponta compradora após a divulgação de novas pesquisas eleitorais.
Apesar da alta, a XP mantém cautela com o setor bancário devido a incertezas sobre o crescimento econômico e a inadimplência. Em relatório, a corretora indica o Itaú Unibanco (ITUB4) como a principal escolha por qualidade, enquanto o Banco do Brasil ainda concentra maior ceticismo entre investidores institucionais.
A XP citou riscos como o endividamento das famílias, a desaceleração da atividade econômica e a expansão lenta da carteira de crédito. O Bradesco (BBDC4) foi classificado pela instituição como uma tese intermediária de recuperação.


