As campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) ampliaram a disputa por eleitores independentes após a pesquisa Quaest registrar o crescimento de Augusto Cury, do Avante, para 10% das intenções de voto, colocando o escritor isolado na terceira posição da corrida presidencial.
O levantamento, primeiro após o início da propaganda eleitoral em rádio e TV, indica que Cury saltou de 2% para 10% desde 14 de agosto. Entre os eleitores que não se identificam com a polarização entre direita e esquerda, Cury detém 24% das intenções, seguido por Lula, com 21%, e Flávio Bolsonaro, com 9%.
Lula lidera a simulação de segundo turno com 37%, enquanto Flávio marca 30%. Outros candidatos, como Renan Santos (Missão), registram 3%, ao passo que Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo), Pablo Marçal (PRTB) e Samara Martins (UP) aparecem com 1% cada.
Aliados do presidente avaliam que o cenário abre caminho para atrair independentes por meio de entregas do governo e novas propostas para um quarto mandato. A estratégia do PT é manter ataques ao senador do PL para elevar a rejeição do adversário, considerando-o mais vulnerável que Jair Bolsonaro foi no pleito anterior.
A equipe de Flávio Bolsonaro analisa a trajetória de Cury, mas orientou a suspensão de ataques para evitar dar visibilidade ao candidato do Avante. O grupo considera que Cury absorveu o espaço de nomes como Caiado e Zema, que agora registram índices baixos.
Para mobilizar a base, a campanha de Flávio aposta nos atos de 7 de Setembro e no aumento da pressão contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O candidato defende publicamente a saída do magistrado após a divulgação de mensagens envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
A estratégia bolsonarista inclui novos pedidos de impeachment de Moraes e pressão sobre o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para que as iniciativas avancem. O presidente Lula não se manifestou sobre o episódio.


