A Shein concluiu a oferta pública inicial (IPO) na bolsa de Hong Kong nesta segunda-feira (1º), levantando HK$ 13,6 bilhões (US$ 1,7 bilhão). A operação ocorre após a varejista de moda falhar em tentativas de abrir capital nos Estados Unidos e na Inglaterra devido a pressões políticas e investigações sobre a cadeia de suprimentos.
A companhia foi avaliada em pouco mais de US$ 26 bilhões, valor inferior a estimativas anteriores que chegavam a US$ 100 bilhões. A decisão por Hong Kong ocorreu após a Comissão Reguladora de Valores Mobiliários da China (CSRC) desaconselhar a listagem nos Estados Unidos em 2024, citando problemas na rede de suprimentos da empresa.
Nos EUA, a pressão veio de um grupo bipartidário de duas dezenas de legisladores que solicitou à Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC) a interrupção do processo. O grupo queria verificar se a empresa utilizava trabalho forçado da população uigur. Marco Rubio, atual secretário de Estado e então senador, integrou os políticos que pediram a divulgação de mais dados operacionais.
A tentativa de listagem na Bolsa de Valores de Londres (LSE) também foi barrada. Embora a autoridade reguladora do Reino Unido (FCA) tenha aprovado o prospecto em abril de 2024, críticos e analistas alertaram que a entrada da Shein poderia prejudicar a imagem do mercado londrino devido ao histórico ambiental, social e de governança da varejista.
Paralelamente, a União Europeia concluiu investigação que apontou violações às leis de proteção ao consumidor. A empresa foi julgada por utilizar informações enganosas sobre sustentabilidade, vendas sob pressão e descontos falsos.
A escolha por Hong Kong foi vista por analistas como uma alternativa mais segura e capaz de render uma avaliação mais alta, impulsionada por fluxos de capital de investidores nacionais e estrangeiros.


