O Goldman Sachs manteve a recomendação neutra para as ações da Cosan (CSAN3) em relatório divulgado nesta quarta-feira (2), após a apuração dos resultados do segundo trimestre de 2026. O banco projeta uma melhora gradual dos indicadores financeiros da holding ao longo do segundo semestre, condicionada ao recebimento de dividendos e possíveis vendas de ativos.
A expectativa é que a companhia encerre 2026 com o índice de cobertura do serviço da dívida (DSCR) em 1,1 vez, valor que está dentro da faixa de 0,8 a 1,2 vez projetada pela própria empresa. O número representa um avanço em relação ao índice de 0,2 vez registrado no segundo trimestre.
A geração de caixa deve vir de dividendos da Moove, Rumo e Compass Gás e Energia. O banco também aponta a possibilidade de contribuição da Radar Propriedades Agrícolas por meio da venda de ativos imobiliários rurais, operação que a administração pretende concluir até o quarto trimestre deste ano.
A dívida líquida expandida da Cosan totalizou R$ 12,2 bilhões ao fim do segundo trimestre, montante que inclui custos de resgate da estrutura Cosan 10 e encerramento de contratos da Rumo. A participação de 30% na Rumo, avaliada em R$ 8,6 bilhões, é vista pelos analistas como uma alternativa para gerar recursos.
A administração da holding confirmou em teleconferência que mantém conversas com potenciais compradores de ativos. O mercado monitora a estratégia de reciclagem de portfólio diante do cenário de juros elevados no Brasil, o que pressiona empresas com alta alavancagem financeira.
O Goldman Sachs estima que as ações da Cosan negociem com desconto de holding de 12%, considerando a fatia de 44% na Raízen e custos de resgate da estrutura Cosan 9. A Raízen, porém, segue em reestruturação operacional e redução de dívida, o que pode limitar a distribuição de dividendos no curto prazo.
Os analistas listam como catalisadores para os papéis o resultado das eleições presidenciais de 2026, o comportamento dos juros, a evolução da Raízen e a concretização de vendas de ativos.


