O secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, afirmou nesta quarta-feira (2) em Caracas que empresas privadas estão prestes a fechar mais de uma dezena de acordos para expandir a produção de petróleo na Venezuela. Segundo Wright, as medidas devem levar a uma dobra da extração de óleo nos próximos anos.
A agenda do secretário inclui reuniões com a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez. Entre os contratos previstos, destaca-se a operação da Chevron, que assumirá dois campos de petróleo na Faixa do Orinoco com investimento de US$ 7 bilhões em cinco anos. Outras companhias, como Shell, BP, Repsol e Eni, também devem assinar acordos, conforme informou Rodríguez à televisão estatal.
A iniciativa atende a um pedido do presidente Donald Trump para ampliar a oferta de petróleo e reduzir os preços da gasolina nos EUA, que subiram mais de 40% este ano devido à guerra com o Irã. O governo americano também visa restringir a atuação de empresas russas e chinesas na região. Wright declarou que a China não terá direitos de cobrança sobre as receitas da nova produção.
Os anúncios ocorrem paralelamente a um plano de Trump para que os EUA controlem 65 bilhões de barris das reservas venezuelanas via North American Blue Energy Partners (Nabep), empresa de Alejandro Betancourt. A medida criaria a segunda maior empresa privada de petróleo do mundo em reservas e recomporia a Reserva Estratégica de Petróleo dos Estados Unidos.
Apesar dos investimentos, analistas indicam que a recuperação da produção pode levar mais de uma década. A infraestrutura venezuelana sofre com bombas quebradas e falta de energia. Em julho, a produção foi de 1,16 milhão de barris por dia, menos da metade do volume de dez anos atrás. O país, membro fundador da OPEP, avalia se deixará o grupo, embora Wright afirme que não discutiu o tema com autoridades locais.


