A Uber Technologies anunciou nesta quarta-feira (2), a demissão de cerca de 3.300 funcionários, o equivalente a 10% de seu quadro global. O movimento é o maior corte de pessoal da companhia desde a pandemia de Covid-19 e visa adaptar a operação ao crescimento dos robotáxis.
O presidente-executivo Dara Khosrowshahi informou em comunicado que a medida serve para achatar a hierarquia da gestão e reduzir a complexidade organizacional. Segundo o executivo, a estrutura atual tornou-se um obstáculo à tomada de decisões e a nova configuração permitirá responsabilidades mais claras e maior agilidade na construção de novos projetos.
A reestruturação inclui a redução de 20% no número de funcionários que ocupam sete ou mais níveis hierárquicos abaixo do presidente-executivo. Equipes com apenas um ou dois subordinados diretos serão reduzidas pela metade, enquanto funções totalmente remotas serão limitadas a 1% do total de colaboradores, mantendo a regra de três dias de trabalho presencial.
A pressão vem do avanço de operadoras de veículos autônomos, como a Waymo, e de investimentos da Tesla. Para proteger sua posição como intermediária entre veículos e passageiros, a Uber planeja investir mais de US$ 10 bilhões em robotáxis nos próximos anos, apoiando desenvolvedores de sistemas de direção autônoma.
No mercado financeiro, as ações da empresa caíram quase 8% este ano, desempenho inferior ao índice S&P 500 e à concorrente Lyft. A companhia também enfrenta concorrência no setor de entregas com DoorDash e Instacart, o que a levou a adquirir a Delivery Hero por US$ 14,8 bilhões para ganhar escala.
Apurações da imprensa indicam que a empresa também lida com custos elevados de inteligência artificial, tendo consumido todo o orçamento de 2026 destinado à tecnologia em apenas quatro meses. No final do ano passado, a Uber contava com cerca de 34 mil funcionários em todo o mundo.


