Os títulos públicos atrelados à inflação registraram o melhor retorno entre as nove classes de renda fixa acompanhadas pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) em agosto. O índice IMA-B subiu 1,58%, superando papéis pós-fixados e prefixados em um período de deflação do IPCA-15.
O desempenho do IMA-B ficou acima das debêntures atreladas ao IPCA não incentivadas (1,40%), das debêntures incentivadas (1,26%), dos títulos pós-fixados do IMA-S (1,11%) e dos prefixados do IRF-M, que tiveram o pior resultado do mês, com 1,04%. No acumulado de 2026, porém, a liderança permanece com as debêntures pós-fixadas do IDA-DI, com 9,81%.
João Debom, sócio da Supernova Investimentos, atribui o resultado ao recuo consistente dos juros reais de prazo mais longo e à duration dos títulos. Segundo Debom, a queda do juro real combinada ao prazo médio de recebimento resultou em um ganho de marcação a mercado desproporcional. Gabriel Magno, sócio da AW Capital, citou que o vencimento do Tesouro IPCA+ 2026 em agosto também aumentou a demanda pelos papéis.
O cenário foi influenciado pela deflação de 0,40% no IPCA-15 em agosto, valor superior à expectativa de queda de 0,30%. No acumulado de 12 meses, a prévia da inflação caiu de 4,52% para 4,24%. No início do mês, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a taxa Selic para 14% ao ano, com nova reunião agendada para 16 de setembro.
Especialistas divergem sobre a sustentabilidade do movimento. Jocelin Thereza Lima considera agosto o início de uma recuperação do segmento. Já Debom e Magno classificam o resultado como um repique pontual, argumentando que a consolidação de uma tendência exigiria sinalizações fiscais mais claras e novos dados de inflação abaixo do esperado.
Na renda fixa bancária, os CDBs prefixados para 12 meses registraram taxa média de 13,35% ao ano. Já os papéis atrelados à inflação para o mesmo prazo tiveram média de IPCA + 7,58%. Os CDBs pós-fixados de 12 meses pagaram, em média, 98,73% do CDI.


