Médicos de prontos-socorros nos Estados Unidos relatam um aumento nos casos de síndrome de hiperêmese canabinoide (CHS), condição ligada ao uso crônico de maconha. O quadro manifesta-se por episódios de náuseas, vômitos e dores abdominais intensas, coincidindo com a legalização da droga em 24 estados e a maior potência dos produtos disponíveis.
A síndrome, que ganhou um código específico no sistema de registros médicos ICD 10 em 2025, assemelha-se à síndrome do vômito cíclico. Pacientes podem vomitar ou ter ânsias quatro ou cinco vezes por hora durante crises que duram vários dias. A dor abdominal pode ser tão forte que leva a pessoa a gritar enquanto vomita, comportamento que gerou o termo informal “scromiting”.
Thangam Venkatesan, professora da Universidade Estadual de Ohio, explica que a alta nos casos pode decorrer de um melhor diagnóstico médico, mas também do aumento da potência do THC. Enquanto a concentração do composto psicoativo em plantas secas era de 1% a 3%, produtos atuais podem ultrapassar 15% e chegar a 95%.
Alguns pacientes buscam alívio tomando banhos ou chuveiros muito quentes durante as crises. Segundo Venkatesan, esse comportamento não é exclusivo da CHS, ocorrendo em quase metade dos pacientes com vômito cíclico que nunca utilizaram cannabis.
James Swartz, professor de serviço social da Universidade de Chicago, afirma que o risco é maior para jovens adultos que utilizam produtos de alta potência por períodos prolongados. Ele ressalta que a interrupção do uso da droga nem sempre é simples, pois muitos usuários utilizam a substância para automedicação de outros transtornos.
A apuração indica que o uso diário de cannabis potente está associado a um aumento de quase cinco vezes no risco de esquizofrenia. Um estudo em Ontário revelou que casos de esquizofrenia ligados ao transtorno do uso de cannabis quase triplicaram nos últimos anos.


