O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva busca ampliar a cooperação tecnológica com a China por meio da integração à Organização Mundial de Cooperação em Inteligência Artificial (Waico). O Itamaraty afirma que a medida visa a soberania digital do Brasil e a redução de dependências tecnológicas, sem representar um alinhamento político com Pequim.
O embaixador Eugênio Vargas Garcia, diretor do Departamento de Ciência, Tecnologia e Propriedade Intelectual do Itamaraty, explicou nesta quarta-feira (2) que a estratégia brasileira consiste em diversificar parceiros e fornecedores. Segundo Garcia, o objetivo é acelerar o acesso a tecnologias de ponta sem criar dependência de um único país.
A abordagem inclui a compra de tecnologia estrangeira com a produção de parte dos componentes no Brasil e o aumento progressivo da participação nacional. O diplomata informou que fabricar localmente do zero pode ser irrealista ou demorado, tornando a cooperação internacional o caminho para evitar o aprisionamento ao fornecedor.
Um exemplo prático é o projeto de supercomputadores do governo. Uma das máquinas será instalada no Rio de Janeiro com participação chinesa, enquanto outra ficará em Natal (RN) utilizando GPUs da Nvidia, embora o edital permita a livre concorrência. O documento exige a formação de 3.000 especialistas em três anos e um plano de ampliação da capacidade produtiva nacional.
A Waico foi fundada em julho de 2026 pelo presidente chinês Xi Jinping. O Brasil é um dos 30 Estados-membros, grupo que inclui Rússia e África do Sul. A organização promove o compartilhamento de modelos abertos de inteligência artificial (IA) para países com infraestrutura menos avançada.
Para o governo chinês, a criação do grupo serve para reforçar a liderança de Pequim sobre a IA, especialmente entre as nações do Sul Global.


