Uma tumba egípcia utilizada por séculos guardava 16 pessoas e um cão mumificados, além de restos de outras quatro pessoas, na Necrópole de Tebas, no Egito. Os achados, localizados na terceira câmara da tumba TT 209, revelam como os costumes funerários mudaram ao longo de 2.700 anos.
Na parte sudeste da câmara, quatro múmias e um cão foram encontrados empilhados. O animal estava posicionado sobre os corpos de um homem e de uma mulher, datando do período Ptolemaico, entre 305 e 30 a.C. Recipientes colocados em pé próximos aos corpos sugerem a realização de rituais da época.
Jared Carballo-Pérez, pesquisador da Universidade de La Laguna e autor do estudo, afirmou que a presença do animal pode indicar uma relação próxima com as duas pessoas ou ter função simbólica. O cão poderia atuar como um guia ou ajudante na passagem para o outro mundo, segundo o pesquisador.
A análise indica que a ocupação da câmara variou conforme novos enterros eram realizados. Inicialmente, os corpos eram mantidos separados e dentro de caixões. Entre 680 e 404 a.C., no fim da 25ª Dinastia e durante o período persa, os novos corpos passaram a ocupar os espaços disponíveis.
Em dois terços dos sepultamentos, os pesquisadores encontraram corpos sobrepostos. Mudanças na posição dos braços também foram registradas: nos enterros mais antigos, os braços estavam estendidos; em períodos posteriores, um braço aparecia dobrado ou ambos cruzados sobre o peito, configuração chamada de posição osiriana.
A Necrópole de Tebas reúne mais de 400 tumbas e localiza-se do lado oposto ao rio Nilo em relação a Luxor. Para reconstruir a história do local, a equipe escavou o espaço e registrou a posição dos corpos e sua relação com as paredes da estrutura.


