A economia dos Estados Unidos registrou expansão modesta entre julho e meados de agosto de 2026, segundo o Livro Bege divulgado nesta quarta-feira (2). O crescimento foi sustentado por investimentos em infraestrutura para inteligência artificial (IA) e gastos com defesa, enquanto famílias de renda média e baixa enfrentaram pressão financeira devido aos juros e custos de energia.
O relatório do Federal Reserve (Fed) reúne dados de 12 distritos coletados até 24 de agosto. Dez dessas regiões registraram crescimento leve ou moderado, enquanto duas apontaram estabilidade. Projetos de grande porte e instalações de servidores impulsionaram a construção não residencial. Em Chicago, um empresário afirmou ao Fed que, sem os data centers, o setor de construção estaria em recessão.
No distrito de Nova York, a demanda de empresas de tecnologia acelerou as locações de escritórios em Manhattan, levando a taxa de vacância ao menor nível desde o fim de 2021. A indústria de transformação também cresceu via contratos governamentais e militares, com destaque para a demanda por produtos aeroespaciais em Cleveland, Atlanta e St. Louis.
O consumo das famílias apresentou desempenho desigual. Enquanto bens de luxo e o turismo, beneficiado pela Copa do Mundo de 2026, seguiram resilientes, consumidores de menor renda reduziram gastos não essenciais. O aumento do preço da gasolina e transportes, influenciado por conflitos no Oriente Médio, levou famílias a utilizarem cartões de crédito e saques de previdência para pagar alimentação e moradia.
No mercado de trabalho, o emprego avançou pouco e cinco distritos relataram estabilidade. A escassez de profissionais técnicos e da construção civil forçou empresas a oferecerem salários acima da média. Paralelamente, o Fed informou que a adoção de ferramentas de IA começou a reduzir a demanda por trabalhadores administrativos e profissionais em início de carreira.
Empresas relataram dificuldade em repassar aumentos de custos de insumos, como aço, energia e tarifas de importação, aos preços finais. Em Nova York e Chicago, varejistas e prestadores de serviços absorveram parte desses custos para evitar a perda de clientes, o que reduziu as margens de lucro.


