O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, recebeu nesta quarta-feira (2), no Palácio do Planalto, uma delegação de deputados argentinos em Brasília. A comitiva, composta por parlamentares de diferentes correntes políticas, busca reaproximar os dois países após a escalada de tensão entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Javier Milei.
O grupo é liderado pela senadora Maria Florencia Lopez, pelo deputado Nicolás Massot e pelo deputado Martín Lousteau. A agenda na capital brasileira começou na terça-feira (1), com reunião no Itamaraty conduzida pela embaixadora Maria Laura da Rocha, ministra das Relações Exteriores substituta. Além do encontro com Guimarães, os argentinos têm reuniões no Senado com o Grupo Parlamentar Brasil-Argentina e a Comissão de Relações Exteriores e Defesa.
Segundo Guimarães, os congressistas afirmaram que a postura de Milei em relação a Lula não representa a maioria da política nem da população argentina. A movimentação ocorre durante um dos períodos de maior crise diplomática entre as duas nações desde a redemocratização.
O desgaste se intensificou após Milei participar, em 25 de julho, da convenção do PL em São Paulo, onde declarou apoio a Flávio Bolsonaro. Na ocasião, o presidente argentino criticou Lula e chamou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de “lixo careca”. Em declarações posteriores, Milei chamou o presidente brasileiro de “ladrão” e “corrupto”.
Em resposta, o governo brasileiro rebaixou o nível da representação diplomática em Buenos Aires no dia 4 de agosto. O embaixador Julio Bitelli permaneceu no Brasil, e o ministro-conselheiro Eduardo Uziel assumiu a representação como encarregado de negócios. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou em 8 de agosto que Milei deveria interromper as agressões contra instituições brasileiras para retomar a normalidade.
Paralelamente, o PT aponta indícios de interferência nas eleições de 2026 por meio de Fernando Cerimedo, ex-assessor de Milei. Cerimedo foi indiciado pela Polícia Federal por desinformação sobre as urnas em 2022. O deputado Rui Falcão (PT-SP) solicitou ao STF cooperação jurídica com a Bolívia, onde Cerimedo está preso, para acessar provas de uma investigação sobre uma rede de robôs na Bolívia.


