O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, defendeu nesta quarta-feira (2) o uso de gás natural para abastecer data centers no Brasil. A declaração ocorre um dia após o Senado aprovar o Redata (Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter), que flexibiliza as fontes de energia permitidas para esses empreendimentos.
O texto original, aprovado pela Câmara em fevereiro, exigia que 100% da demanda elétrica dos data centers fosse suprida por fontes limpas ou renováveis. A nova redação do Senado permite a utilização de fontes renováveis ou de baixa emissão, cabendo ao governo definir quais critérios de impacto ambiental e de efeito estufa serão considerados.
A alteração possibilita a entrada de fontes não renováveis, como a energia nuclear e o gás natural. Durante a tramitação, o senador Esperidião Amin (PP-SC) propôs a inclusão expressa de geradores a gás natural ou biometano, mas a emenda foi rejeitada pelo relator Cid Gomes (PSB-CE).
Silveira citou que os Estados Unidos desenvolvem 6,5 GW de geração termelétrica a gás especificamente para atender data centers. O ministro defendeu a redução do preço do combustível no Brasil, o aumento da oferta nacional e a exploração de reservas de gás não convencional.
O ministro manifestou-se a favor do uso de fracking, técnica de fraturamento hidráulico de rochas banida em alguns estados brasileiros. Silveira afirmou que o Brasil é o maior importador de gás de fracking dos Estados Unidos e que a técnica deve ser considerada como energia de transição.
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) julgará no dia 9 de setembro um processo que poderá definir a legalidade e as condições para a exploração de óleo e gás não convencionais no país.


