O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, procurou o presidente Lula na manhã de terça-feira (1º) para alertar sobre a falta de apoio do governo à cúpula da Polícia Federal (PF). A conversa ocorreu durante um embate entre o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o ministro André Mendonça, do STF.
A disputa envolve a condução das investigações do Banco Master. O caso ganhou novos contornos depois que Mendonça determinou a elaboração de um relatório da PF que expôs trocas de mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro.
Gilmar afirmou a Lula que intervenções indevidas de ministros do Supremo no trabalho da PF não são apenas problemas do tribunal, mas do próprio governo. O encontro teria acontecido após um café que reuniu ministros da Corte e Andrei Rodrigues.
A cúpula da PF alega omissão da Advocacia-Geral da União (AGU) nos atritos com Mendonça. Já o órgão, comandando pelo ministro Jorge Messias, argumenta que a Polícia Federal propõe medidas que poderiam anular as investigações sobre o Banco Master.
O ministro Gilmar Mendes relatou ao presidente a existência de uma disfuncionalidade nas relações entre a PF, a AGU e o Ministério da Justiça, chefiado por Wellington César Lima e Silva. O conflito escalou após a PF demandar que a AGU atuasse no STF para reduzir o controle do ministro Dias Toffoli sobre inquéritos sob sua relatoria.
A AGU tem se manifestado contrariamente a essas demandas. Jorge Messias tentou articular uma solução consensual em agosto, promovendo uma reunião entre Mendonça e Wellington Lima e Silva, da qual Andrei Rodrigues não participou.
Na noite de segunda-feira (31), o ministro da Justiça reuniu-se novamente com Mendonça, também sem a presença do diretor-geral da PF. Procurado, Gilmar Mendes não quis se manifestar.


