Pesquisadores identificaram, em dados de arquivo do Telescópio Espacial Hubble, o primeiro fluxo estelar de um aglomerado globular detectado fora da Via Láctea. O fenômeno foi localizado na galáxia UGC 9050-Dw1, situada a aproximadamente 115 milhões de anos-luz da Terra, conforme estudo publicado nesta quarta-feira (2) na revista Nature.
O rastro de estrelas é o remanescente de uma densa bola estelar que está sendo desfeita pela gravidade da galáxia hospedeira. À medida que o aglomerado perde estrelas, elas formam um fluxo longo e estreito. A detecção ocorreu em uma galáxia ultradifusa, característica que, segundo os autores, facilitou a visualização do rastro devido ao fundo tênue e ao forte campo de maré.
A equipe utilizou a modelagem do fluxo para traçar o campo gravitacional da galáxia e estimar sua massa total. O processo permitiu diferenciar a massa composta por objetos visíveis daquela formada por matéria escura, substância invisível que não pode ser vista, mas exerce influência gravitacional sobre estrelas e galáxias.
Julie Kiel Holm, doutoranda do Instituto Niels Bohr da Universidade de Copenhague, afirmou que a descoberta é emocionante. A pesquisadora explicou que a matéria escura deve compor entre 80% e 85% do universo, o que torna a identificação desses rastros fundamental para compreender a estrutura de outras galáxias.
Sarah Pearson, professora associada do DTU Space, Instituto Nacional Espacial da Universidade Técnica da Dinamarca, disse que a combinação de um fundo tênue com a capacidade de atrair estrelas do aglomerado progenitor foi ideal para a localização do fluxo.
Tjitske Starkenburg, professora assistente de pesquisa da Universidade Northwestern, informou que a detecção exigiu sorte devido ao campo de visão limitado do Hubble. A pesquisadora mencionou que o Telescópio Espacial Nancy Grace Roman, com lançamento previsto para o final do mês, terá um campo de visão 100 vezes maior que o do Hubble, o que deve ampliar as detecções.


