O site Ouvidoria Cidadã publicou, nesta terça-feira (1º), um texto que critica a condução da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) sob a gestão da presidente Antonia Pellegrino. A publicação acusa a dirigente de adotar um padrão de personalismo, utilizando canais institucionais e redes sociais para promoção própria em detrimento de instâncias oficiais.
O texto questiona o uso do perfil pessoal de Pellegrino no Instagram como canal de escuta do público, ignorando a Ouvidoria e o Sistema Nacional de Participação Social na Comunicação Pública (Sinpas). A apuração do site indica que Jota Marques, assessor da presidência com função comissionada e debatedor do programa Sem Censura, recebe R$ 10.721,79 mensais para registrar o cotidiano da presidente nas redes sociais.
Outro ponto levantado é a aceitação de hospitalidade do Google Gemini em maio de 2026, quando a presidente esteve em um camarote no evento Todo Mundo no Rio. O texto aponta conflito de interesse, pois a empresa investiu R$ 9 milhões no evento enquanto o governo de Luiz Inácio Lula da Silva assinava decretos para endurecer regras e ampliar a fiscalização sobre plataformas digitais.
A gestão também é criticada por ter veiculado, em junho de 2026, entrevista com o ex-presidente da Embratur, Marcelo Freixo, marido de Pellegrino, no programa Na Mesa com Datena. Na ocasião, Freixo era pré-candidato a deputado federal pelo Rio de Janeiro. O texto descreve a situação como uma estrutura de troca de favores e visibilidade política dentro da máquina pública.
A Ouvidoria Cidadã cita ainda a retirada de mais de 180 mil conteúdos da Radioagência Nacional e da Agência Brasil em julho de 2026, sob justificativa de defeso eleitoral da Lei 9.504/1997. A crítica recai sobre a decisão de Pellegrino de publicar um texto de defesa da medida na própria Agência Brasil, veículo considerado noticioso e não espaço de opinião para dirigentes.
O texto contesta, por fim, a narrativa da presidente de que o futebol feminino na TV Brasil teria crescido apenas após sua gestão na diretoria de conteúdo. O autor afirma que a TVE Brasil já transmitia a Taça Brasil feminina nos anos 1980 e que a expansão recente do esporte acompanha um crescimento estrutural do setor, com aumento de 50% nas competições.
Procurada via WhatsApp, Antonia Pellegrino não respondeu aos questionamentos até a publicação da matéria.


