A Polícia Federal (PF) detalhou em relatório como peritos recuperaram 52 mensagens enviadas pelo dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A investigação identificou que o sistema do iPhone 17 Pro do banqueiro gerava cópias automáticas de capturas de tela em pastas ocultas.
Vorcaro utilizava uma estratégia para apagar os rastros dos diálogos: escrevia textos no bloco de notas, realizava capturas de tela e enviava as imagens via WhatsApp no modo de visualização única. Após o envio, as imagens eram deletadas da galeria de fotos do aparelho, que foi apreendido em novembro de 2025 durante a Operação Compliance Zero.
Os agentes utilizaram os softwares Cellebrite e Graykey para realizar a extração bruta dos dados, técnica conhecida como cópia bit por bit. A apuração descobriu que o sistema operacional do celular criava automaticamente um arquivo em PDF com o conteúdo da tela em uma pasta de arquivos temporários chamada tmp, acessível apenas por softwares específicos.
Como a apreensão ocorreu poucas horas após o envio das mensagens, a PF conseguiu recuperar esses arquivos intactos. A equipe utilizou ainda o software IPED para cruzar as informações com logs do sistema e registros de uso de aplicativos, que marcam o segundo exato em que cada ferramenta é aberta e fechada.
A análise cronológica revelou um padrão repetido dezenas de vezes. O sistema registrava a abertura do bloco de notas, a captura de tela, a abertura do WhatsApp e o envio da mensagem em sequência imediata. A PF comprovou que o destinatário era o número salvo na agenda como “Alexandre de Moraes BRASILIA”.
As mensagens recuperadas foram enviadas entre os dias 30 de outubro e 17 de novembro. A apuração indica que a estratégia de visualização única do WhatsApp não impediu a recuperação, pois o arquivo residual PDF foi gerado antes do envio da imagem.


