A ONG Conservación Humboldt e a empresa Kimbavet adaptam uma tecnologia de vestimentas para cães e gatos para evitar que pinguins resgatados no Chile manipulem ferimentos ou retirem suturas com o bico. O projeto, que conta com apoio do Buin Zoo, utiliza tecidos com cobre e zinco para proteger as aves durante a reabilitação.
O problema central enfrentado pela equipe veterinária ocorre quando pinguins chegam com lesões no peito ou nas costas. Segundo o presidente da Conservación Humboldt, Tomás Pino Damke, os animais silvestres tendem a bicar as zonas lesionadas, o que dificulta a recuperação e impede o uso de faixas por longos períodos.
A solução foi adaptar o BodyCobre, peça têxtil desenvolvida pela Kimbavet para evitar que animais domésticos lambam feridas. O material já é comercializado em mais de 40 países. Adolfo Momares, vinculado à empresa, informou que a modificação do design foi solicitada pela ONG para atender aves feridas por ataques de leões-marinhos ou incidentes com hélices de embarcações.
A fase inicial de testes envolveu a coleta de medidas anatômicas e a observação da mobilidade dos animais no Buin Zoo. O processo resultou em uma versão distinta das peças para pets, com ajustes específicos para o corpo dos pinguins antes do envio das amostras para a cidade de Coquimbo.
O diretor do Buin Zoo, Ignacio Idalsoaga, afirmou que tecnologias para animais domésticos têm sido estendidas a espécies exóticas. Ele explicou que o tratamento de fauna marinha apresenta dificuldades extras devido ao contato constante com a água e às condições necessárias para a manutenção das feridas.
A adaptação segue em fase de desenvolvimento. Os responsáveis pelo projeto informaram que ainda são necessárias etapas de teste para determinar o alcance da ferramenta no tratamento de fauna marinha resgatada e avaliar o comportamento das aves durante a reabilitação.


