A avaliação do emagrecimento está deixando de focar exclusivamente na redução de quilos para priorizar a manutenção da massa muscular. Segundo a endocrinologista Patricia Gracitelli, a análise da composição corporal é fundamental para garantir a força, a funcionalidade e a qualidade do metabolismo durante a perda de peso.
A mudança na percepção do emagrecimento acompanha a popularização de medicamentos para o tratamento da obesidade. A médica explica que é necessário entender a origem dos quilos eliminados, distinguindo a perda de gordura da preservação dos músculos, fator que impacta a mobilidade e a capacidade de realizar atividades básicas.
O alerta é maior para mulheres que passam pelo climatério e pela menopausa. A partir dos 40 anos, a redução do estrogênio influencia a composição corporal e favorece a perda de massa magra, processo que pode ocorrer mesmo sem alterações significativas no peso registrado na balança.
Para evitar a perda de autonomia, Gracitelli indica o treinamento de força, como a musculação e exercícios resistidos. A diminuição da musculatura pode dificultar tarefas simples, como subir escas, levantar de cadeiras ou carregar compras, comprometendo a independência no envelhecimento.
A alimentação também é parte da estratégia, com foco na ingestão adequada de proteínas. A endocrinologista afirma que não existe uma fórmula única, sendo necessária a avaliação da idade, fase hormonal e condições clínicas de cada paciente para definir a dieta e o nível de atividade física.
A especialista defende que um corpo saudável não é necessariamente o mais magro. A preservação da força e da capacidade funcional deve ser prioridade para garantir qualidade de vida e autonomia nas décadas seguintes, recomendando que hábitos protetores sejam adotados antes que a perda muscular se torne evidente.


