Pacientes que utilizam medicamentos injetáveis para emagrecimento, conhecidos como canetas emagrecedoras, relatam aversão a perfumes que antes eram agradáveis, especialmente fragrâncias doces ou marcantes. Embora não existam evidências científicas de que as drogas que atuam no GLP-1 alterem o olfato, médicos atribuem o fenômeno a mudanças sensoriais e fisiológicas do tratamento.
A percepção de incômodo não se restringe a cosméticos. Algumas pessoas relatam maior sensibilidade ao cheiro de alimentos ou mudanças na forma como sabores e aromas são processados. Segundo especialistas, transformações comuns no tratamento, como náuseas e a redução do apetite, podem interferir na experiência sensorial.
O endocrinologista Renato Reis afirma que os medicamentos interferem nos mecanismos de fome, saciedade e comportamento alimentar. Para o médico, a percepção de que cheiros ou sabores passaram a incomodar é um fenômeno observado em alguns pacientes, mas que ainda precisa de mais estudos para a compreensão dos mecanismos envolvidos.
A endocrinologista Maria Letícia Murba explica que olfato, paladar e náusea participam conjuntamente da experiência com aromas. De acordo com a médica, se o paciente apresenta aversão a alimentos durante o tratamento, cheiros que remetam a comidas doces ou intensas podem ser percebidos de outra maneira.
A nutróloga Mariana Comério associa a mudança à forma como o cérebro integra cheiro, paladar e mal-estar. Segundo a especialista, a redução do desejo por doces altera o sistema de recompensa. Se um aroma doce é associado à náusea provocada pelo medicamento, o organismo pode desenvolver uma resposta de aversão.
A endocrinologista Patricia Gracitelli recomenda que alterações intensas ou persistentes no olfato sejam comunicadas ao médico. Ela ressalta que mudanças duradouras possuem diversas causas possíveis e não devem ser atribuídas automaticamente à medicação, sendo fundamental a análise do contexto clínico para decidir por uma investigação.


