A Organização Meteorológica Mundial (OMM) alertou nesta quinta-feira (3) que o atual episódio de El Niño pode ser o mais intenso já registrado desde que as medições começaram, há quatro décadas. O fenômeno, que eleva a temperatura da superfície do Pacífico equatorial, deve atingir seu pico no final de 2026.
A secretária-geral da agência da ONU, Celeste Saulo, informou em entrevista coletiva em Genebra que a trajetória atual pode superar os gráficos utilizados nos últimos 40 anos. Segundo a OMM, a probabilidade de o fenômeno durar até fevereiro é próxima de 100%.
Os efeitos já são sentidos na América Latina. Panamá e El Salvador declararam estado de emergência, e o fenômeno já forçou a redução do tráfego marítimo no Canal do Panamá. O Equador emitiu um alerta vermelho devido à intensificação do processo.
O Secretário-Geral da ONU, António Guterres, afirmou em comunicado que o planeta está em “águas desconhecidas” e na zona de perigo de eventos climáticos extremos. Ele declarou que o El Niño está se tornando gigantesco e que a ciência não deixa margem para dúvidas sobre o aquecimento das temperaturas da superfície do mar.
Embora seja um fenômeno natural, cientistas esperam que o El Niño exacerbe as temperaturas globais, já elevadas pela queima de combustíveis fósseis. O ano de 2024 foi o mais quente já registrado após o último episódio do fenômeno.
A OMM prevê que os impactos climáticos persistam até 2027. Para o período entre setembro e novembro, a probabilidade de temperaturas acima do normal é alta em quase todas as áreas terrestres, com riscos de secas na Amazônia, Indonésia e Austrália, além de monções interrompidas na Índia.
Celeste Saulo alertou que o evento tem potencial para causar um golpe devastador em comunidades e economias. A diretora-geral da OMM recomendou que setores de agricultura, saúde, energia e água acelerem a preparação para lidar com a intensificação de secas e inundações.


