Aliados do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, encomendaram uma pesquisa de opinião no Brasil para avaliar como a intensificação da pressão de Washington sobre o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), pode influenciar a eleição presidencial. O levantamento, conduzido pelo instituto McLaughlin & Associates, ouviu cerca de 2 mil brasileiros.
A sondagem, que não terá divulgação pública, serve de subsídio para avaliações políticas nos EUA. O objetivo é identificar se a ampliação de sanções contra Moraes e outras autoridades brasileiras fortaleceria o senador Flávio Bolsonaro (PL) ou se provocaria uma reação do eleitorado capaz de beneficiar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A apuração indica que o grupo avalia a possibilidade de novas medidas, incluindo a aplicação da Lei Magnitsky. Existe a hipótese de que o endurecimento de Washington mobilize eleitores críticos ao STF, mas também o risco de que a população interprete a ação como interferência estrangeira em assuntos internos, favorecendo o governo federal.
O instituto norte-americano já havia realizado outra pesquisa em junho de 2026, sem registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Naquela ocasião, Lula tinha 40% das intenções de voto e Flávio Bolsonaro 32% no primeiro turno. Em cenário de segundo turno, ambos registraram 45% cada. Aquele levantamento apontou que 72% dos entrevistados apoiavam o impeachment de ministros do STF em caso de crime ou má conduta.
Diferente da rodada anterior, os dados atuais são de circulação restrita. Os responsáveis buscam medir o chamado “efeito Moraes” para entender se a política externa americana, ao interferir no debate político brasileiro, reforça a narrativa de que o STF extrapola atribuições ou alimenta o discurso de defesa da soberania nacional.


