A escritora, editora e ativista Gloria Steinem morreu nesta quinta-feira (3), aos 92 anos. Radicada em Nova York, ela se tornou um dos principais nomes do feminismo nos Estados Unidos ao longo de décadas de atuação pelos direitos das mulheres, pelos direitos civis e contra a desigualdade social.
Steinem fundou, em 1972, a revista feminista Ms., cargo que ocupou como editora por 15 anos. A combatente da violência doméstica e do feminicídio comparava o volume de mulheres assassinadas por parceiros ao número de americanos mortos nos ataques de 11 de Setembro de 2001 e nas guerras do Iraque e do Afeganistão.
A trajetória da ativista incluiu a participação na Marcha sobre Washington, em 1963, onde assistiu ao discurso de Martin Luther King. Ela também protestou contra a Guerra do Vietnã nos anos 1960 e contra a Guerra do Golfo na década de 1990, experiências que moldaram sua visão sobre as relações entre raça, gênero e poder.
Em seu livro “Minha vida na estrada”, publicado em 2015, Steinem discutiu a diversidade e a condição feminina. A autora argumentava que a casa era, estatisticamente, um lugar mais perigoso para as mulheres do que a estrada, devido à maior probabilidade de agressões cometidas por homens conhecidos.
Crítica às estruturas de poder, Steinem manifestou-se contra o sistema eleitoral americano. Em 2017, afirmou que a mobilização contra o presidente Donald Trump era a maior que já havia presenciado em sua vida, superando inclusive as lutas pelos direitos civis e os protestos contra a Guerra do Vietnã.
A ativista também classificou Trump como perigoso e narcisista, apontando que sua eleição tornou mais evidente o racismo nos Estados Unidos. Apesar das críticas ao cenário político, Steinem declarou em publicações que mantinha um sentimento de esperança em relação ao país.


