Um adolescente de 15 anos foi apreendido nesta quarta-feira (2), em São Luís, no Maranhão, suspeito de torturar mais de 200 gatos em transmissões ao vivo na plataforma Discord. O jovem, que também é acusado de induzir vítimas à automutilação, será transferido para a capital paulista para cumprir medida de internação.
A operação foi resultado de um monitoramento de seis meses conduzido pelo Núcleo de Observação e Análise Digital (Noad), da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP), em conjunto com a Polícia Federal (PF). Durante a ação, as autoridades apreenderam um aparelho celular. Segundo a delegada Lisandrea Salvariego, coordenadora do Noad, o suspeito chegou a torturar de cinco a seis animais em uma única madrugada.
A apuração indica que o Discord apresenta demora na resposta a pedidos emergenciais de remoção de conteúdo. Um relatório do Noad, que analisou 63 requisições entre maio de 2025 e janeiro de 2026, aponta que a plataforma levou até 17 dias para responder. Em julho de 2025, um pedido para retirar uma sala dedicada à matança de gatos demorou 16 dias e 18 horas para ser respondido, resultando em recusa da empresa.
Dados do Noad revelam que os registros de zoosadismo — prática de causar sofrimento a animais para obter prazer — cresceram 200% entre 2025 e 2026. Desde novembro de 2024, o núcleo resgatou 1,2 mil animais, incluindo cães, gatos e porquinhos-da-índia. No mesmo período, 411 vítimas de estupros, automutilação e instigação ao suicídio foram resgatadas em plataformas digitais.
A situação impulsionou a tramitação de quatro projetos de lei no Congresso para atualizar a Lei de Crimes Ambientais de 1998. As propostas incluem a punição para quem produz, divulga ou monetiza conteúdo de violência animal. O projeto do senador Confúcio Moura prevê pena de um a quatro anos de prisão, enquanto a proposta da deputada Rosana Valle sugere agravantes para crimes cometidos visando lucro.


