A Procuradoria-Geral da República (PGR) firmou um acordo de colaboração premiada com o empresário Antonio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro, sobre os repasses financeiros para o filme Dark Horse. O material, que detalha o caminho do dinheiro enviado pelo banqueiro Daniel Vorcaro ao fundo Havengate, foi encaminhado para análise do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Freixo, dono da Entre Investimentos e Participações, relatou pagamentos feitos a pedido de Vorcaro e apresentou informações sobre transferências ao exterior. Segundo o acordo, a Entre realizou remessas ao Havengate, fundo sediado no Texas e administrado pelo advogado Paulo Calixto. O empresário afirmou não saber que os recursos seriam destinados à produção do filme sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A colaboração inclui relatos sobre entregas de dinheiro em espécie solicitadas por Vorcaro, com a indicação dos endereços onde as quantias foram entregues. O empresário declarou desconhecer o destino final desses valores e não citou autoridades com foro privilegiado. Esta é a segunda colaboração premiada no caso Master, após proposta semelhante de João Carlos Mansur, da gestora Reag.
A Polícia Federal investiga se todo o montante enviado ao fundo foi para o filme ou se parte dos recursos custeou despesas de Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos Estados Unidos. O ex-deputado nega ter recebido dinheiro de Vorcaro. Já Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência, afirma que os recursos foram usados integralmente na produção.
Dados da apuração indicam que Vorcaro enviou ao menos US$ 12,3 milhões (cerca de R$ 65 milhões) para a estrutura de financiamento. Uma de tais transferências, no valor de US$ 1,6 milhão, ocorreu em setembro de 2025, após Flávio Bolsonaro ter afirmado que os pagamentos haviam terminado.
Freixo já havia sido alvo da segunda fase da operação Compliance Zero, em 14 de janeiro. Em 27 de março, a Entrepay, instituição de pagamento do Grupo Entre, foi liquidada pelo Banco Central, que também determinou a indisponibilidade de bens. A defesa do empresário informou que não se manifestaria por conta do sigilo da apuração.


