A Procuradoria-Geral da República (PGR) fechou um acordo de colaboração premiada com o empresário Antonio Carlos Freixo Júnior, dono da Entre Investimentos e Participações. A empresa é investigada por supostos repasses do banqueiro Daniel Vorcaro para o financiamento de “Dark Horse”, cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), nesta quinta-feira (3).
Os recursos teriam sido enviados ao Havengate Development Fund, sediado nos Estados Unidos, responsável por administrar os valores e encaminhá-los à produtora Go Up Entertainment. Entre os administradores do fundo está Paulo Calixto, advogado do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro. A colaboração de Freixo é a primeira focada no caso do filme e a segunda ligada a investigações sobre o Banco Master.
O acordo será encaminhado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator dos processos. Cabe ao magistrado decidir sobre a homologação da colaboração. As investigações buscam apurar se todo o dinheiro repassado por Vorcaro foi destinado à produção ou se parte dos valores foi direcionada a Eduardo Bolsonaro, que reside nos Estados Unidos.
O ex-deputado nega ter recebido os recursos e afirma ter cedido apenas direitos de imagem. A apuração indica que os pagamentos de Vorcaro para a produção foram negociados pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República.
Em nota divulgada na quarta-feira (2), a Go Up Entertainment informou que um repasse adicional de US$ 1,6 milhão feito por Vorcaro em setembro de 2025 foi declarado à Justiça de São Paulo em 10 de junho de 2026. Com esse valor, as doações do banqueiro para o projeto totalizam US$ 12,3 milhões.
A produtora declarou que todos os recursos foram integralmente destinados à obra e transitaram por canais formais do sistema financeiro. A empresa relatou ainda que uma tentativa de nova transferência em outubro de 2025 não foi concluída no sistema financeiro brasileiro e, por isso, os recursos não foram recebidos.


