O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta terça-feira (1º) que o prejuízo de R$ 5,5 bilhões registrado pelos Correios no primeiro semestre de 2026 não deve ser confundido com perda financeira, mas sim classificado como déficit contábil devido a investimentos realizados pela estatal.
As declarações foram feitas durante debate com coordenadores econômicos de campanhas presidenciais. Durigan explicou que, na contabilidade pública, a realização de investimentos é considerada déficit. O ministro justificou que a empresa ficou para trás em relação a outras companhias de logística durante a pandemia, pois a inclusão no Programa Nacional de Desestatização (PND) teria limitado a capacidade de modernização.
Nos seis primeiros meses de 2026, os Correios registraram prejuízo líquido de R$ 5,55 bilhões. O número é superior ao resultado negativo de R$ 4,26 bilhões apurado no mesmo período do ano passado. Somente no segundo trimestre deste ano, a perda foi de R$ 2,4 bilhões, totalizando 16 trimestres consecutivos de resultados no vermelho.
A ex-presidente da Caixa e coordenadora de economia da campanha de Flávio Bolsonaro, Daniella Marques, classificou a fala do ministro como “um tapa na cara” da sociedade. Segundo Marques, a empresa tornou-se invendável devido ao volume de dívidas, estimando que o comprador assumiria R$ 9 bilhões em débitos.
Marques informou que, durante a gestão anterior, as estatais registraram lucro e que, posteriormente, foram necessários aportes de R$ 5 bilhões, R$ 5 bilhões e R$ 6 bilhões. Ela atribuiu o desempenho atual dos Correios a uma falta de entrega de resultados da equipe do governo.
Durigan afirmou que o governo destinou R$ 6 bilhões para a modernização da estatal. O ministro declarou que a recuperação da empresa está em curso e que o governo avalia a necessidade de parcerias com a iniciativa privada.


